Itaú lança IA para investimentos: o que isso diz sobre o futuro da relação entre bancos e clientes?
- Trinia

- 9 de jun. de 2025
- 2 min de leitura

O Itaú acaba de anunciar a primeira inteligência artificial generativa do Brasil voltada à assessoria de investimentos. A novidade entra em fase de testes com cerca de 10 mil clientes Uniclass e Personalité, mirando um público digitalizado e sem acesso a consultores exclusivos. Mas o que isso representa para o futuro da experiência bancária — e, mais profundamente, da confiança na inteligência artificial?
A promessa do Itaú: personalização sem custo adicional
A IA do Itaú foi construída com o objetivo de oferecer uma assessoria hiperpersonalizada, baseada no histórico de alocação e perfil de cada cliente. Diferente de outras soluções mais genéricas — como a BIA do Bradesco ou até o uso do ChatGPT —, essa ferramenta é pensada exclusivamente para o universo de investimentos e se conecta à base de conhecimento do próprio banco.
Entre as funcionalidades:
Recomendações personalizadas com base no comportamento de investimento.
Respostas a dúvidas sobre produtos, impostos e liquidez.
Experiência conversacional integrada ao app, sem custos adicionais.
Quem pode usar — e por quê?
Neste primeiro momento, a IA será oferecida a clientes com investimentos entre R$ 50 mil e R$ 300 mil, com perfil digital ativo. O foco está menos na quantia investida e mais na afinidade com tecnologia e autonomia no app.
Essa escolha revela uma aposta estratégica: a IA como ponte entre a automação e a sofisticação, democratizando o acesso à inteligência financeira para um público que, muitas vezes, ficava entre o autoatendimento genérico e o atendimento premium exclusivo.
IA para investimentos substituindo humanos? Ainda não — e talvez nunca
A grande dúvida: os assessores humanos estão com os dias contados?
Segundo o Itaú, a resposta é não. A proposta é de complementariedade. A IA pode funcionar como um “copiloto” para especialistas, ajudando com dados técnicos e liberando mais tempo para que o humano foque no relacionamento com o cliente. Com isso, a instituição vislumbra até aumentar o número de assessores, impulsionados pela eficiência da IA.
Ou seja, o futuro pode ser menos sobre substituição e mais sobre integração.
Limites, riscos e aprendizados
Como toda inovação, a IA do Itaú também tem suas limitações:
Não responde em tempo real sobre fatos do noticiário ou decisões de política econômica.
Ainda não oferece insights sobre ações ou produtos de terceiros.
Conta com validação humana contínua para garantir segurança e alinhamento com os valores do banco.
Além disso, surge uma nova fronteira: como lidar com a insatisfação do cliente quando uma recomendação da IA não performa bem? A confiança, nesse cenário, vai muito além da performance técnica — ela depende de transparência, ética e um bom design de serviço.
O que podemos aprender com esse movimento?
A iniciativa do Itaú é um marco no uso estratégico da IA no setor financeiro brasileiro. Mas também serve como exemplo para outros segmentos:
Tecnologia precisa nascer com propósito claro e centrado no cliente.
Explicabilidade e governança são tão importantes quanto sofisticação técnica.
IA pode ser uma alavanca de personalização em escala, sem eliminar o valor humano.
Empresas que desejam seguir esse caminho precisam não só da tecnologia, mas de uma cultura organizacional que favoreça a experimentação responsável e o aprendizado contínuo.




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